sábado, 27 de novembro de 2010

Conhecer mundo… respeitar o Ambiente

«“Não há melhor maneira de conhecer o mundo que viver as suas tradições”. Cada viajante persegue os seus motivos: Cadilhe queria descobrir as 12 ondas mais perfeitas; o havaiano Laird Hamilton tem a obsessão de surfar as maiores ondas do planeta; há quem cace etnias exóticas com a câmara; “há viajantes que põem especial ênfase em conhecer as melhores praias de cada ilha, outros especializam-se nos parques nacionais, outros aspiram a «provar» uma mulher (ou um homem) em cada país. A mim atraem-me especialmente as ruínas arqueológicas e os mosteiros”, escreveu Jorge Sánchez.
Os meus projectos levaram-me cada vez mais alto e mais longe, e tornaram-se sucessivamente mais complexos e dispendiosos, até ao ponto em que deixei de ter capacidade para os suportar sózinho… Uma alternativa possível é enquadrar este tipo de projectos num objectivo potencialmente útil para a sociedade.
A minha primeira aproximação a este tipo de intervenção deu-se em 1998, com o projecto da ‘Expedição Lisboa-Calecut-Lisboa’, coordenada pelo Carlos Albano, o Tó Zé e o Rui Goulão, da ‘Associação dos Amantes de África e da Aventura’, de Portimão. Visava comemorar os 500 anos da viagem marítima de Vasco da Gama, realizando a versão em 4 viaturas menos sofisticadas (R4L) a simbolizar 4 caravelas comandadas pelo grande navegador português. O objectivo desta viagem, para além da aventura em si, era o de enaltecer o espírito dos antigos exploradores lusos e difundir a cultura portuguesa (tal como o do meu livro anterior). Infelizmente o apoio da Comissão dos Descobrimentos ‘falhou’ à última hora, devido a mudanças na Direcção ….
Anteriormente, eu tinha estado envolvido noutras iniciativas com carácter de beneficência, que não ligadas com as viagens de exploração: como a Eco Bike (Cascais, Dez.95) da revista Bike Magazine (artigo no Nº 11, de 1996), com o objectivo de contribuir para a limpeza das zonas utilizadas por ciclistas - montados em bicicletas, o meu amigo Cristóvão e eu, em apenas uma hora, recolhemos mais de 20 kg de lixo ao longo da estrada costeira entre Cascais e Guincho, contribuindo para um total de mais de 440 kg recolhidos por um grupo de 15 ciclistas voluntários, só naquela manhã. Pontualmente, colaborei com: o programa internacional Coast Watch, coordenado em Portugal, na altura, pelo grupo GEOTA, para a identificação do tipo de lixo existente nas praias portuguesas; a tripulação do navio ‘Artic Sunrise’ da organização ambientalista Greenpeace, numa sua curta passagem pelo porto de Lisboa; e com o Banco Alimentar, nalgumas das suas acções de recolha de alimentos…»
Este é um excerto de ‘Os Novos Exploradores e a Aventura dos Sentidos’, o meu próximo livro (sobre cuja publicação darei noticia em breve), que contém uma mensagem explícita de alerta para a importante questão da Sustentabilidade e Conservação.

Em 2008, o glaciar Chacaltaya, na Bolívia, desapareceu definitivamente (ainda que tal tenha sido previsto 10 anos antes). Com ele, encerrou a respectiva pista de ski. Calcula-se em 380 milhões o número de esquiadores no mundo (180 deles, nos Alpes). Esta semana, esquiadoras de topo, incluindo as medalhadas olímpicas Maria Riesch e Tina Maze, associaram-se ao projecto ambiental dos chocolates Milka para promover uma atitude mais consciente e consequente da população em geral, no que toca ao respeito pela natureza e à deposição do lixo em locais apropriados. Em Portugal, talvez apenas a intervenção dos futebolistas mais idolatrados, e de algum eventual ídolo no campo da pesca (se é que existe), para lograr chegar à consciência daqueles que irreflectidamente atiram qualquer coisa pela janela do automóvel, e daqueles que só não deixam a cabeça nas margens dos rios e nas zonas costeiras…
(Fotos: baleias em Puerto Madryn, patagónia argentina)

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