segunda-feira, 23 de setembro de 2019

From the Baltic to Kattergatt sea, Sweden. The Year of the kayak!

Do mar Báltico ao mar de Kattergatt, em kayak 
From the Baltic to the Kattergatt sea, by kayak

fotos em baixo / photos below

2019, ano do kayak?! Com esta travessia em kayak, superior a 400 quilómetros de distância, do mar Báltico ao mar de Kattergatt, ou, o mesmo é dizer, de Estocolmo a Gotemburgo (e mais além…), pode bem ser! De facto a travessia da Suécia de Este para Oeste, em kayak, não se faz por mar mas sim por via fluvial: um canal, sete lagos e um rio permitem ligar as duas cidades e as costas Este e Oeste do país escandinavo.
A mega construção do canal, o Göta kanal, também considerada a ‘construção sueca do milénio’, foi realizada entre 1810 e 1832, envolvendo o trabalho manual de 58 mil soldados, com o objetivo de transportar pessoas e mercadorias (sobretudo minério). A soma dos segmentos do canal mede 190 quilómetros; a sua estrutura é composta de 58 comportas que retêm a água que escorre desde o seu ponto mais elevado – o lago Viken –, situado 92 metros acima do nível do mar.
O Göta Kanal mede 190 km, entre as vilas de Mem, porta de entrada desde o mar Báltico, e Sjötorp, mas margens do lago Vännern.
O rio Göta (ou Göta älv) mede 93 km (nascendo no mesmo lago Vännern, servindo de coluna vertebral à cidade de Gotemburgo, que cresceu nas suas margens, e desaguando no mar de Kattergatt).
Os sete lagos que ligam o canal são: Asplängen, Roxen, Boren, Vattern, Bottensjön, Viken, e Vännern (o maior da Suécia e terceiro maior da Europa).
Em anterior texto deste blog (19.03.19) referi que os desafios para 2019 seriam duas travessias: a da Córsega, a pé; e a da Suécia, em kayak. A ‘Córsega a pé’ foi substituída pela volta à ilha de Menorca em kayak (por razões de saúde da cadelinha Carmen que não se encontrava em condições para longas caminhadas). Cabe retificar que a travessia da ‘Suécia em kayak’, efetivamente realizada, não alcança a extensão de 630 km indicada (esta distância seria se em bicicleta, tendo que rodear alguns lagos em vez de atravessá-los), mas sim 452 km.
A volta à ilha balear de Menorca (216 km de perímetro), em autonomia, demorou 6 dias (em Junho) num kayak duplo tripulado por mim, pela Sofia e pela cadelinha Carmen. A distância percorrida estimada é de 150 km (o percurso pedestre ‘cami des cavals’, que recorre o perímetro da ilha, mede 185 km).
A minha travessia da Suécia foi feita neste início de Setembro (entre os dias 8 e 20), em solitário e em total autonomia. Demorou 13 dias, incluindo 2 dias de paragem forçada devido a alerta amarelo por ventos fortes (10 a 14 metros por segundo; ou 36 a 50 km/hora), que me apanharam nos muito amplos e expostos lagos de Vattern e Vännern. Começou na ilha de Yxnö, do arquipélago Sankt Anna, no mar Báltico, entrou no Göta kanal em Mem (cerca de 180 km ao sul de Estocolmo – há um outro canal, o Trollhätte, que liga o Göta às imediações da capital sueca), atalhou 66 km na margem leste do lago Vännern devido ao mau tempo, atravessou o centro de Gotemburgo e terminou para lá da desembocadura do rio Göta, na pequena e bucólica praia de Fiskebäcksbadet (N57º38’,92-O11º51’,21), deixando-me pisar ou molhar-me em sete novas ilhas e seis novos lagos (o Vattern já conhecia).
Cheguei a imaginar que se trataria de um ameno passeio em kayak mas nada disso, começando pela volatilidade da meteorologia nórdica (se hesita para o dia seguinte quanto mais a 10 dias). Em resumo, em resumo, e para além das múltiplas paisagens extraordinárias, dos bivaques diários, do cansaço muscular, da calma do canal só quebrada pela ansiedade inicial de descobrir como ultrapassar a comporta seguinte, e da incerteza gerada nos lagos mais amplos pela exposição a ventos persistentes, ondas, e rochas, bem como pela falta de perspetiva visual para poder definir o rumo mais seguro a tomar, estes são alguns dos dados relevantes:
- média de horas diárias a remar: 9 (média de 41,5 km/dia)
- dia mais longo a remar: 5º dia, 12 horas na água (com uma pausa de meia hora)
- maior distância percorrida num dia: 12º dia, 54 km (no rio Göta)
- dia mais duro: 4º dia, 6,5 horas para atravessar os 20 km do lago Vattern, com ondas e vento contra.

Assim, somando a esta travessia a volta a Menorca e as rotas em kayak no Cabo de Gata (Almeria), 2019 pode bem ter sido o meu ‘Ano do kayak’. Ou talvez não!


From the Baltic to the Kattergatt sea, by kayak

2019, the Year of the kayak?! With this kayak crossing, over 400 kilometers long, from the Baltic sea to the Kattergatt sea, or, the same is to say, from Stockholm to Gothenburg, it can really be that! In fact, the crossing of Sweden from East to West, by kayak, is not done by sea but by rivers and channels: one canal, seven lakes and one river, allow to navigate between the two cities and opposite coasts of the Scandinavian country.
The mega construction of the canal, the Göta kanal, also considered the ‘Swedish Construction of the Millennium’, was built between 1810 and 1832, with the manual work of 58 thousand soldiers, with the purpose of transporting both passengers and goods. The canal measures 190 kilometers; its structure includes 58 locks that regulate the water that flows from the highest point, at the Viken lake, located 92 meters above sea level.
The Göta Kanal is 190 km long, and stretches from the town of Mem, entrance from the Baltic sea, to the town of Sjötorp, at the banks of the Vännern lake.
The river Göta (or Göta älv) is 93 km long (having its source on Vännern lake, making the spine of Gothenburg city, and arriving at the Kattergatt sea).
The seven lakes that connect the channel are: Asplängen, Roxen, Boren, Vattern, Bottensjön, Viken, e Vännern (the biggest of Sweden and the third biggest of Europe).
On my post of the 19.03.19 I’ve mentioned that the challenges for 2019 would be two crossings: Corsica by foot; and Sweden by kayak. ‘Corsica by foot’ was replaced by the tour around Menorca Island, on kayak (for health reasons of our doggy); and here I have to rectify that the crossing of ‘Sweden by kayak’ does not reach the 630 km mentioned (this distance would be by bicycle, having to surround some of the lakes instead of crossing them) but 452 km.
The tour around the Island of Menorca (216 km of perimeter) took us (me, Sofia and the doggy) 6 days (in June) on a double kayak. The estimated distance covered was 150 km (the trail ‘cami des cavals’, around the Island measures 185 km).
My crossing of Sweden was done in the beginning of this September (from the 8th to the 20th), solo and unassisted. It took me 13 days, including 2 days break due to yellow alert for strong winds (10-14 meters per second, or 36-50 km/hour), that caught me right in the middle of the vast and exposed Vattern and Vännern lakes. It started at the island of Yxnö, of the Sankt Anna archipelago, on the Baltic sea, entered the Göta kanal at Mem (some 180 km south of Stockholm – another canal, the Trollhätte, connects the Göta to the surroundings of the capital city), jumped 66 km on the coast of the Vännern lake to avoid the bad weather, crossed the center of Gothenburg and ended behind the mouth of the river Göta, at the small and bucolic beach of Fiskebäcksbadet (N57º38’,92-O11º51’,21), letting me step on or get wet at seven new islands and six new lakes (I already knew the Vattern).
In the beginning I got to imagine that this would be no more than a stroll but nothing like that, in particular because of the volatile weather forecast in Scandinavia. In short, and besides the several extraordinary landscapes, the daily bivouacs, the muscular fatigue, the calmness of the canal – only broken by the anxiety of finding how to get in and out of the next lock without damaging the fiber kayak –, and the uncertainty generated by the persistent winds, waves and rocks, out on the open waters of the big lakes, together with the lack of perspective to find the safest route, these are some of the relevant data:
- average of hours rowed per day: 9 (average of 41,5 km/day)
- longest day rowing: 5th day, 12 hours on the water (half an hour lunch break)
- longest distance rowed in one day: 12th day, 54 km (on Göta river)
- toughest day: 4th day, 6,5 hours to cross the 20 km width of the Vattern lake, with waves and wind against.

So, together with the tour around Menorca Island and the kayak routes in Cabo de Gata (Almeria, Spain), 2019 could well have been my ‘Year of the kayak’. Or maybe not!


Video Sweden crossing: 
https://www.youtube.com/watch?v=hq2tWIbgTlM&feature=youtu.be

Photos Sweden crossing:






















Photos Cabo de Gata routes (Spain):






terça-feira, 4 de junho de 2019

Around Menorca by kayak

     Menorca is a beautiful island, we all know... The question seems to be: is it still preserved or always too crowded? Out of July and August the island is still pretty much visitable (meaning: not so busy). Last May, Sofia, me and a little dog did a kayak journey around the whole island, as one of our projects for 2019 (as described on the prior report, below). We wanted to navigate and experience some of the many sandy 'calas' with turquoise colour waters around the 216 km of coast of Menorca. In 6 days we paddled 150 km to complete the whole surrounding of the island, untill we were caught by strong northeast winds and big waves, just around Cap Negre. We managed to get shelter in cala des Murtar and decided to hike through 'el cami des Cavalls' the last 6 km separating us from Es Graus (our starting point).  
     Furthermore we hiked some 22 km (of which 15 km were part of the path 'cami des Cavalls' that surrounds the whole island), visiting back some of the calas we liked the most. We spent a morning 'callejeando' through the streets of Ciutadela, and wandered along the coast of Mahón. Our favorite spots: cala Galdana; cala en Porter (unforgetable bocadillo de tortilla de berengenas at the bar next to the beach), cala Fustam, cala Binibequer, cala Talaier, cala Macarella... 
     Amazing experience! 'Carmencita Jones', our doggy (one eye blind and one bad knee), did great on the kayak and through the waves. Now she got a new middle name - she's called Carmencita Marinera Jones.
     Here are some of the best photos:

Video 'Around Menorca by kayak' (6’47’’): https://youtu.be/RNjuJypDR7g

     Menorca é uma ilha linda, todos sabemos... A questão parece ser: permanece preservada ou está sempre a abarrotar de turistas? Fora os meses de Julho e Agosto a ilha permanece bastante visitável. Neste mês de Maio, a Sofia, eu e uma pequena cadelinha realizámos uma volta em kayak a toda a ilha,  como um dos nossos projetos para 2019 (tal como descrito no texto anterior). Queriamos navegar e experimentar algumas das muitas 'calas' de areia branca e águas de cor turquesa em redor dos 216 km de costa de Menorca. Em 6 dias remamos 150 km para completar a volta à ilha, até que fomos surpreendidos por fortes ventos de nordeste e ondas altas, ao passar o Cap Negre. Conseguimos refugiar-nos na cala des Murtar e decidimos percorrer a pé, pelos caminhos 'cami des Cavalls', os últimos 6 km que nos separavam de Es Graus (o nosso ponto de partida).  
     Depois, caminhamos um total de 22 km (15 km dos quais faziam parte do 'cami des Cavalls' que rodeia toda a ilha), visitando de novo algumas das calas de que mais gostámos. Passámos uma manhã pelas ruelas de Ciutadela, e vagueámos pelo passeio marítimo de Mahón. Os nossos locais favoritos: cala Galdana; cala en Porter (inesquecível bocadillo de tortilla de berengenas no bar junto da praia), cala Fustam, cala Binibequer, cala Talaier, cala Macarella... 
     Experiência incrível! 'Carmencita Jones', a nossa cadelinha (cega de um olho e com um joelho em mau estado), portou-se extraordinariamente bem no kayak e través das ondas. Agora, ganhou um novo apelido - chama-se Carmencita Marinera Jones!
     Aqui ficam algumas das melhores fotos:



























quinta-feira, 2 de maio de 2019

Inverno duro, viagens de meia estação!

Inverno repleto de percalços em Sierra Nevada (fissura no cotovelo após queda na segunda semana; entorse no tornozelo antes do Natal, com baixa de 13 dias e 1 mês a trabalhar a 60%; pai internado de urgência em plena temporada; resfriado primaveril de 2 semanas...). Agora que esta dura mas excecional temporada termina (5 de Maio), com oportunidade ainda de desfrutar fora de pista da neve creme primaveral (nas próximas semanas), preparo-me para os dois desafios de 2019. Duas travessias: volta à ilha de Menorca (216 km) em kayak (a travessia da ilha de Córsega fica adiada sine dia, devido a complicações de saúde da cadelinha…); travessia Este-Oeste da Suécia em kayak (Setembro), utilizando rios, canais e lagos, numa extensão de mais de 630 km.
Quando veem relatos, fotos (em baixo), vídeos das minhas viagens/expedições a primeira coisa que pensam é logo que “ele é rico!”… Na realidade, vivo e defendo-me com rendimentos inferiores a 11 mil euros/ano (o que me coloca, segundo os parâmetros atuais, abaixo do umbral da pobreza)! Fora esses devaneios viageiros, organizados na base do ‘low cost’, os meus gastos também são judiciosos; o meu consumo também se reduz ao essencial; a poluição que produzo também se situa bem abaixo da média; a minha pegada no planeta continua a ser muito mais próxima do sustentável que a da maioria dos europeus… E o meu lema continua a ser “É preferível lutar por uma ‘utopia’ do que pactuar com uma farsa!
Essas viagens são parte da minha vida e o meu ‘investimento inspirador’ que permite as narrativas (reais, nos blogs, ou em livros que, por vezes, juntam factos e ficção) que recebem de alguns leitores adjetivos como: “muito interessante”, “pedagógico”, “inspirador”…