sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Ensaio sobre a Solidão

‘Ensaio sobre a Solidão’, o novo livro que recolhe as experiências do início da travessia solitária do Atlântico em barco a remos, já está disponível. Para quem se interessa pelos intrincados meandros da mente... 'Ensaio sobre a solidão' será uma interessante leitura para estas férias. O desfecho poderá surpreender alguns (espero que muitos)!


Um abraço especial aos amigos mencionados no texto do livro: Alberto Garcia, Alex Bellini, Amadeu Garcia, Costa Motta, Fátima I. Pinto, Filipe Palma, Filipe Santa Marta, Helena, Inês Tavares, Janice Jakait, João Correia, João Garcia, João Oliveira, João Pedro, Jorge Sánchez, José Viegas, Liliana Santos, Mafalda Tavares, Maria Clarinda, Maria Dolores Saez, Margarida Botelho, Nini Cunha Rego, Paco Gonzalez, Pilar Domenech, Pilar Martos Fernandez, Rahkel Vilhena, Rodrigo Xeira, Roz Savage, Sónia Barata, Tony Humphreys.

Personalidades públicas referenciadas: Carminho, Cristiano Ronaldo, Eduardo Punset, Fernando Alvim, João Garcia, José Saramago, Lobo Antunes, Nuno Markl, Obelix, Paulo Castilho, Paulo Morgado, Vargas Llosa…


Sinopse: “Eu tinha um ‘desejo’, mais do que um sonho, de viajar por mar… “uma grande viagem em autonomia”… Esta travessia é uma forma de, pelo menos uma vez na vida, me comprometer com esses sonhos, largando tudo para os perseguir. Este livro é o retrato desse desejo e da ação que tenta levar à sua possível concretização. De caminho, pretendo levar o leitor a uma viagem pelos intrincados meandros da mente - onde nos confrontamos com fraquezas e motivações, debilidades pessoais e as de uma sociedade proclamada de ‘moderna’ e democrática -, na forma de uma combinação de reflexões e pesquisa de diversa índole, incluindo a científica.

Outros livros e informações: http://ze-tavares.blogspot.com  

terça-feira, 10 de julho de 2012

Horizonte Branco - reflexões da montanha

‘Horizonte branco’ era o título da minha crónica sobre a travessia do longo e inóspito glaciar de Talkitna, no coração de uma amálgama de montanhas. 
Aqui fica uma passagem do livro (já disponível): «... É branco apenas pela cor da envolvente... essa mesma envolvente que, por sua vez, facilita a produção de pensamentos bastante ricos e coloridos. ‘Horizonte Branco’ transformou-se no titulo deste livro porque este retrata, sobretudo, situações vividas na alta montanha, onde quase tudo é branco. O grito da montanha, e dos espaços abertos, que chama, cativa e prende alguns de nós, mas que também permite e motiva reflexões mais profundas. Tudo é branco mas não em permanência. É um branco ‘intermitente’, como as nossas emoções ou a inspiração criativa. Por vezes acordamos e vemos um manto de neve branca, num campo de visão limitado ao fundo ofuscado pela névoa; mas se o sol desperta, lá pelo meio dia a fina capa de neve brilhante das altitudes inferiores derrete e dá lugar aos tons castanhos e cinza das rochas predominantes. Por vezes, as nuvens permitem apenas imaginar o que se esconde para lá daquele lençol semi-opaco, estendido entre os nossos olhos e o horizonte imaginado. Mas cada vez que aquelas se dispersam e deixam que se alargue o nosso horizonte visual para um quase infinito, não podemos evitar soltar uma exclamação de admiração (...)
Também as travessias destes horizontes brancos produzem emoções (coloridas ou monocromáticas, entre elas a solidão), conhecimento e inspiração...
A faceta cruel é precisamente a que condiciona as nossas prioridades ali, remetendo para segundo plano os nossos egoísmos, a mesquinhez, o desenvolvimento dentro de nós de caprichos de comodismo, vaidade e luxúria (…) A viagem por estes horizontes começou, talvez, nos Pirinéus ou nos Alpes. Adquiriu contornos, eventualmente, na cordilheira andina. Germinou, possivelmente, nas montanhas do Cáucaso. Seguramente ganhou corpo no Alasca e nos maiores e mais longos glaciares da  Europa e África.  Materializou-se  nos  Himalaias,  a  cordilheira que acomoda as mais altas montanhas do mundo, onde muitos se candidatam a passar por diferentes tipos de ‘sofrimento’ mas só uns poucos encontram verdadeira justificação para tal!»

O novo livro inclui a história da descida em esquis de mais de 8 mil metros e o programa Ice Watch (http://glacierwatch.blogspot.com) de visita a diversos glaciares em regressão! 
O que achas da capa e do trecho? Encomendas ao autor ou em: http://www.bubok.pt/livros/5833/Horizonte-Branco--reflexoes-da-montanha

Foto: glaciar Gebrayak, no Tibete, e campo 1 do Cho Oyu - vista desde a altitude de 8 mil metros

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Esquiar a 8 mil metros e remar no Atlântico…


No meu próximo livro, ‘Horizonte Branco – reflexões da montanha’, conto fases da passagem pelo Cho Oyu, a montanha de 8 mil metros da qual desci a esquiar. Aqui recordo um trecho sobre uma ‘Semana Diabólica na montanha’: “dia 18Set. Tremor de terra (mata 15 no norte da Índia, o local do epicentro, e 5 em Kathmandu), seguido de avalanche perto do ABC; 22Set. Todo o acampamento desperta com tosse; 24Set. Avalanche chega a 10 metros do C2; notícia de 3 mortos em avalanche noutra montanha; 25Set. Morre um checo junto ao serac – fica 3 dias lá exposto; queda de avião turístico em Katmandu mata 19; 26Set. Desiste o 3º italiano; maior nevão, paralisa tudo; 27Set. Morre alemão soterrado na tenda; chegam de C1 várias pessoas com frostbite e outras afecções; 1Out. Rocei o cume e desci em esquis (curto vídeo em http://www.youtube.com/watch?v=kRUM1xx18-s), com princípios de congelações nos pés”.

A ligação entre os dois projectos é que o primeiro, além de pretender analisar a redução de glaciares dos Himalaias (http://glacierwatch.blogspot.com), pretendia canalizar atenções para o seguinte... entretanto, a meio da preparação para a travessia do Atlântico, fui subir o Almansor (Serra de Gredos): junto com o Nuno, cheguei ao cume de 2.592m sem problemas. Agora, de novo me ocupa a travessia oceânica a remos: aumentam as desigualdades; aumenta a diferença entre ricos e pobres; aumenta o desemprego; aumenta a criminalidade; aumenta o consumo de recursos naturais; aumenta a degradação ambiental… Quando tudo isto aumenta na nossa sociedade, não é difícil augurar um futuro complicado para todos. Tal como não é difícil suspeitar que todos estes problemas têm uma origem comum… A mensagem a transmitir com a travessia do Paraguaçú pretende alertar para a necessidade de um maior controle das duas últimas variáveis elencadas (seguir em http://travessiaoceanica.blogspot.com).

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Já chegou!

Já cheguei da expedição ao Nepal! Observei e informei-me sobre 2 glaciares: o Khumbu, na base do Everest, e o Gebrayak, frente ao Cho Oyu, do lado tibetano. Os resultados podem ser surpreendentes (darei detalhes em breve). Mas o objectivo desta ‘Portuguese Glacier Watch – Cho Oyu 2011’ era também o de subir ao topo de uma montanha de mais de 8 mil metros e descer a esquiar. Passei assim a ser o ‘primeiro português a descer em esquis de mais de 8 mil metros de altitude’. Aqui ficam os links para alguns videos na montanha: o acampamento base; a chegada ao Campo 1; a passagem do serac; a descida em esquis...
http://www.facebook.com/?ref=tn_tnmn#!/photo.php?v=10150487251464778&set=vb.613684777&type=3&theater (my tent)
http://www.youtube.com/watch?v=D0Y064EvoU8 (killer slope)
http://www.youtube.com/watch?v=mOuRhK3XQjM (serac)
http://www.youtube.com/watch?v=kRUM1xx18-s (ski)

Mas, o que chegou também (e esta é a notícia) foi o meu barco – o Paraguaçú!
De momento fica nas docas em Belém, onde se submeterá a pequenas reparações e ajustes, e à colocação de autocolantes identificativos da travessia. Se o tempo permitir farei algum treino na foz do Tejo, durante este mês de Novembro. No primavera do ano que vem o ‘Paraguaçú’ será transportado para LAGOS, e treinos diários terão lugar durante todo o verão frente às praias algarvias: uma boa oportunidade para novos sponsors ‘darem nas vistas’!
A partida para a grande travessia está marcada para o final do ano de 2012 (ver post anterior) – este ano celebra os 90 anos da primeira travessia aérea do Atlântico sul, por Coutinho e Cabral.

Fotos: a caminho do campo 2 do Cho Oyu; a montanha; Paraguaçú frente ao Tejo; com o Amadeu a discutir detalhes da travessia.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

‘Um dia no Tibete’

Amanhece limpo. Geada.
Pesagem da bagagem: 1650kg para todo o grupo (a mim correpondem 61kg, 14 dos quais levo nas costas). O homem que fazia a leitura da balança (sustentada por outros dois) apenas via de um olho e este tinha-o em muito mau estado, a julgar pelo aspecto vermelho do globo ocular. Quando me dei conta, reparei que ao peso real de cada volume acrescentava sempre um ou dois quilos mais, não tenho a certeza se por defeito físico ou pelo defeito da cobiça!
Depois, iniciamos a caminhada para o Campo Intermedio (3h15’ de duração). Pressão atmosférica, 531mbar.
A hospedeira tibetana da ‘casa de chá’, uma das 4 tendas permanentes neste acampamento, depois de nos servir um chá de manteiga de yak e de me mostrar os seus dois filhotesa dormir, despreocupadamente sacou da teta e amamentou o último dos rebentos.
Enquanto isso, um jovem militar chinês de patente, na mesa do canto, jogando dominó com 3 tibetanos com uma atitude talvez mais submissa do que relaxada, apaga ostensivamente a beata no chão apesar do cinzeiro que tinha na frente do nariz; com o chapéu, para impor o devido respeito, afasta o outro pequenote que se aproximara com curiosidade e mimo, ao mesmo tempo que fala à boca grossa com os seus parceiros de jogo.
Entram 2 camionistas. A jovem mulher, no seu traje típico – a saia-avental, ou gaptel, por baixo da qual usa calças, e o cinto largo e colorido, ou cara – atende-os sem deixar de dar de mamar.
A casa de chá, com 6 mesas, é, simultaneamente, sala de jogo e de jantar, cozinha e quarto de dormir. A casa de banho? A natureza fria... - estávamos a 5.200metros de altitude.
E quando a jovem mãe, depois de acarinhar os filhos, ambos sofrendo de algo mais do que uma forte espectoração, depois de me mostrar como se prepara o chá num tubo longo e de se ocupar de algumas tarefas de limpeza, começava a parecer muito feminina, eis que arregaça a manga da blusa, puxa uma daquelas cuspidelas vindas do fundo da garganta, e mais fundo (também típico chinês e nepalês), deixa a saliva escorrer para o antebraço e, com o dedo indicador, esfrega-o como se estivesse a espalhar algum bálsamo regenerador...

Enquanto as grandes cidades do mundo vivem ao ritmo do sobe e desce do Dow Jones e de outros índices, e dos chorudos contratos de fornecimentos e de construção, nestas altitudes dos Himalaias continua a viver-se ao ritmo das panelas e da meteorologia, e do passo dos yaks!
Gopal, o nosso cozinheiro, já aprendeu a dizer ‘obrigado’. Agora andamos a insistir com o ‘Bom dia’!

Foto 3: Landomat e Tenda, as duas filhas, com um dos bebes; ao fundo o perfil do Cho Oyu

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Os novos Exploradores



Entre outras, retrato experiências significativas (em duração, distância ou quantidade) de diversos viajantes. As histórias e referências de/a portugueses incluem: A. Costa Motta, Amadeu Garcia, Ana Isabel Mineiro, Ângelo Felgueiras, Cáceres Monteiro, Daniela Teixeira, Elisabete Jacinto, Fernando Nobre, Genuino Madruga, Glória Serrazina, Gonçalo Cadilhe, Joana R. Pinho, João Almeida, João Batista, João Garcia, João Oliveira, Jorge Vassalo, José Hermano Saraiva, José Lima, José Megre, José Pádua, José Tavares, Lúcio Lampreia, Manuel Gomes Martins, Maria Assunção Avillez, Miguel Arrobas, Miguel Calado Lopes, Miguel Torga, Nuno Frazão, Nuno Lobito, Nuno Pedrosa, Nuno Vicente, Rosa Carvalho, Tiago Alves, Victor Carvalho (e as instituições AAAA de Portimão, e IPSSs como a AMI, APPC-Leiria, Humanitarius), e outros na ‘Cronologia de feitos de portugueses’.

Encomendas via Bubok.pt: http://www.bubok.pt/libros/3592/Os-novos-exploradores-e-a-aventura-dos-sentidos
Preço: 16,5€ + gastos de envio

Encomendas directas ao autor, com dedicatória (promocional para as primeiras 100 unidades): em mão, 14,5€

Disfruta este verão com uma leitura simultâneamente amena e estimulante, e oferece a um familiar ou amigo.

Um abraço,
José Tavares

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Crónicas de glaciares - ‘Noruega II’

A Noruega é liiiinda... mas os glaciares também estão em perigo!

Dia 23 parto para o Nepal. Tal como na Noruega, pretendo analisar efeitos da redução dos glaciares do vale do Khumbu, sobranceiro ao Everest, mas desta vez levando os esquis às costas com a intenção de neles descer da sexta montanha mais alta da Terra.

Anteriormente (crónica 26.11.10), dei noticia de que o glaciar de Chacaltaya, na Bolívia, desapareceu definitivamente em 2008 (como previsto 10 anos antes). Com isso encerrou a respectiva pista de ski e o panorama é agora desolador. Já não há neve a 5.300m de altitude! (tal como referi a respeito do Kilimanjaro: os efeitos notam-se mais drasticamente nas grandes altitudes e latitudes perto do equador).

Na Noruega situa-se o maior glaciar da Europa - o Jostedalsbreen (breen = glaciar), com uma área de 487km2. Actualmente o plateau tem uma extensão de pouco mais de 40km mas já foi muito longo...
Estive na ‘lingua’ de Boyabreen, uma das 25 que saem do glaciar principal. Boyabreen é braço mais longo, alimenta o fiord de Fjaerland, e está em retrocesso paulatino.
Na foto vemos a evolução desse retrocesso desde 1886. Na foto seguinte vemos a evolução das temperaturas globais desde 1860, notando-se claramente o acentuado incremento a partir da década de 1980.


A história do consumo energético e do crescimento económico e demográfico da humanidade nos últimos 100 anos, “indica-nos que as alterações climáticas são, em boa parte, consequência de um desenvolvimento económico e demográfico sem precedentes, possibilitado pelo uso massivo dos combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás)” (por Mariano Marzo, catedrático de Recursos Energéticos da Fac. Geologia da Universidade de Barcelona, ao El País, 22.02.11). Segundo a OMM (org. mundial de meteo), 17 países registaram recordes de temperaturas máximas (Ago.10).

É para alertar para estes factos, e para contribuir para a consciencialização das suas consequências, que pretendo levar a cabo a travessia do Atlântico em barco a remos, em 2012 (projecto ‘Paraguaçú’, em http://travessiaoceanica.blogspot.com).

Curiosidade: Em 1972 um pequeno avião despenhou-se no plateau de Jostedalsbreen. O piloto morreu e foi evacuado. Os restos do aparelho foram sendo cobertos pela neve... Devido ao lento movimento das massas de gelo, espera-se que algum dia os destroços reapareçam no topo do Boyabreen.
(outras fotos no Facebook: http://www.facebook.com/media/set/?set=a.10150389263954778.435119.613684777&l=7529cdb7a4&type=1 )