quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Alterações climáticas e eficiência energética

A ONU juntou em Genebra 2500 peritos de todo o mundo na conferência da Organização Meteorológica Mundial para debater o futuro pós-Quioto. Enquanto isso, na cimeira de Tripoli (Líbia) os países africanos definiam uma posição comum para a cimeira de Dezembro em Copenhaga: “os países pobres precisam de receber ajuda, para se adaptarem” (DN, 02.09.09). Um relatório das Nações Unidas estima em 600 mil milhões de dólares (1% do PIB mundial e 30 vezes mais do que está a ser gasto actualmente com o problema) o valor anual necessário pelos países mais atrasados para que adoptem as tecnologias que permitem reduzir os gases que provocam o efeito de estufa, “responsáveis pela perturbação do clima do planeta”. Os autores defendem um “apoio maciço”, sob a forma de investimento a nivel mundial, para conseguir um crescimento sustentável e mais “limpo”.
Ao mesmo tempo, no Nepal, os países dos Himalaias discutem os riscos das alterações climáticas para os glaciares de montanha. Este é também o alerta que o projecto Ice Care pretende disseminar (http://icecare.blogspot.com/). A próxima expedição, aos glaciares do Kilimanjaro em África, está programada para coincidir precisamente com o início da cimeira de Copenhaga.
Entretanto, a revista Dirigir (2º trimestre 09) assinalava várias ‘ideias verdes’ e ‘tendências’ cujo deselvolvimento pode contribuir para atenuar o paradigma do século – “melhorar a qualidade de vida sem destruir o meio ambiente nessa tentativa” (NG 2008, ‘El pulso de la Tierra’): um aeroporto de Liverpool pretende experimentar uma tecnologia inovodora, reciclando o ar expirado pelos passageiros e convertendo-o em biocombustivel a usar por veículos a diesel; uma empresa desenvolveu o conceito ‘solar road panels’, para pavimentar estradas de forma a captar e armazenar energia solar para fornecer a unidades comerciais e residenciais (www.greencarcongress.com/2009/02/solarroadways.html); investigadores descobriram uma forma de produção de hidrogénio à temperatura ambiente utilizando aglomerados de alumínio (http://feedproxy.google.com/~r/SiteinovacaoTecnologica/~3/AVwrWUDdlGo/noticia.php). Os EUA delinearam programas de eficiência energética que, se aplicados, levariam a uma redução de 22% na taxa de crescimento da utilização de energia em 2030; em 2005 o governo sueco realizou um estudo visando o fim da sua dependência do petróleo (http://www.leonardo-energy.org/call-oil-independence-–-highligts-needenergy-efficiency). Recentemente também a “Eslovénia anunciou que 2/3 do seu território são área protegida, e as ilhas Maldivas anunciaram o abandono total do uso de energias fósseis” (excerto do meu novo livro ‘Os novos exploradores e a aventura dos sentidos’).

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Viajar e encontrar-se ...

Mais passagens do próximo livro, 'Os novos exploradores e a aventura dos sentidos':
Costumo dizer que ‘os portugueses passaram de pobres a comodistas’, para justificar a falta de tradição na prática desportiva e na viagem, e as opções de vida da maioria, que privilegia a segurança material … A partir das décadas pós 25 de Abril, em que o crescimento económico (mais do que um verdadeiro ‘desenvolvimento’) se reflectiu num aumento do poder de compra dos portugueses, este foi direccionado para a aquisição de bens materiais (casa, carro, electrodomésticos, …), quase ignorando os verdadeiros alimentos da alma …. Viajar é um dos investimentos pessoalmente mais enriquecedores mas, infelizmente e geralmente, um dos menos produtivos. Recordo a afirmação do Henrique Moraes, para quem “a viagem é uma das melhores escolas da vida”. Quanto mais não seja para adquirir uma perspectiva do nosso próprio país visto de fora (coisa que faz falta a muitos politicos e autarcas do nosso país).

O escritor e poeta Miguel Torga (1907-1995) via-se como “um novo andarilho”: "No meu sangue há uma ancestralidade nómada pelo menos tão vigorosa como a atracção dos pólos nativo e adoptivo a que regresso sempre. É uma necessidade de caminhar, de devorar léguas, de conhecer terras, de perspectivar o mundo de todos os ângulos." Dos portugueses, escreveu: "É nossa sina não caber no berço. Desde os primórdios que somos emigrantes. O português pré-histórico já era aventureiro, navegador, missionário, semeador de cultura”, mostrando que a ‘falta de tradição’ a que me referi não foi senão um hiato temporário, entre a época dos navegadores e missionários e os tempos modernos, durante o qual os portugueses se dedicaram a amealhar bens materiais …

Com a ajuda de exemplos que nos chegam do estrangeiro e a contribuição de histórias divulgadas em revistas e nos canais temáticos (…), estaremos a saír daquela fase de comodismo geral. Ainda nos admiramos com os hábitos das populações do norte da Europa e o seu uso generalizado da bicicleta ou, como observamos na Suiça, como pessoas de idade superior a 50 e 60 anos esquiam e caminham nas montanhas, com botas, bastões e demais equipamento apropriado. Admirável ! É uma questão cultural, justificamos. Mas, hoje, mais portugueses praticam desporto (ainda que nem todos sejam desportistas), enquanto outros consideram opções menos convencionais de vida, abandonando o seu nicho de segurança e ‘arriscando’ a viver de actividades menos comuns - tornam-se viajantes profissionais (vivem do surf, da fotografia, da organização de expedições …), de acordo com uma sua filosofia própria, na procura da
auto-satisfação e harmonia interior. Entre nós, já despoletaram novos ‘grandes viajantes’. Além dos ‘viajantes desportivos’ - aqueles que realizam expedições de elevada dificuldade (apresentei uma série deles no livro anterior) -, aqui destaco sobretudo experiências de viajantes em distância, em duração, ou ‘em quantidade’. Desde os que vão de mochila e optam por dormir em lugares baratos (e o defendem para justificar a sua ‘arte de viajar’), até aqueles para quem isso não é o mais importante e se alojam em hoteis requintados. Desde os fotógrafos e repórteres, que podem justificar as suas viagens com o trabalho, aos que abertamente se definem como nómadas …. Todos vão em busca de algo. Frequentemente, o encontro consigo mesmos.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Vulcões de Auvergne

«Diz o ditado japonês que ‘aquele que sobe o Monte Fuji uma vez é sábio, aquele que o sobe segunda vez é tonto’. Pois, Doug Szwarc subiu-o 4 vezes seguidas … em 24 horas …. Este tenente da marinha americana, destacado na base naval de Yokosuka (Japão), e 3 companheiros, lançaram-se neste empreendimento no dia 1 de Setembro de 2008. Pretendiam bater o recorde do ano anterior – 3 subidas em menos de 24 horas e 5.000 $Usd de donativos recolhidos, e doados em forma de equipamento ao Orfanato ‘Shunkou Gakuen’. Então, Szwarc e DeGroot subiram 3 vezes ao cume da montanha mais alta do Japão (3.776m), em 23h38m. O novo desafio, ‘4 em 24’ (4 subidas em 24h), equivale à subida do Kilimanjaro num só dia e não representa “um mero acto de vaidade”, como disse Raney, um dos participantes. É que os militares pretendem também alcançar os 10.000 $Usd em donativos, que reverterão para caridade. Este evento recebeu particular atenção dos media japoneses, e contribuio para o estreitamento de laços de amizade entre comunidades japonesas e americanas.»
Este é um parágrafo do meu próximo livro. Demonstra como ‘desporto e viagens de aventura’ estão a evoluir para um novo paradigma: fazer alguma coisa pelo planeta e pelos outros … Chamamos-lhe ‘desporto de intervenção’. É um pouco isso que pretendemos com o projecto Ice Care (actualizações em http://icecare.blogs.sapo.pt/).
Entretanto, na minha última viagem para a Suiça, passei na região de Auvergne (no centro de França) - um nicho de concentrado de vulcões. São mais de 80! Esta cadeia de vulcões única na Europa, representa um conjunto geológico assinalável pois crateras e abóbodas estão pouco erodidas e conservam as suas formas originais. Além dos vulcões, inactivos, o Parque Natural Regional dos Vulcões de Auvergne, uma área de 395.000 hectares, com 670km de caminhos balizados, concentra nascentes como a das águas minerais Volvic, lagos como o Lastioulles ou o Pavin, este com 800 metros de diâmetro e 92 de profundidade, também ele a cratera de um antigo vulcão, aldeias tipicas e castelos …. No centro deste parque, ergue-se o mais elevado vulcão – o Puy de Sancy (1.886m), um strato-vulcão com 1,2 milhões de anos. A cadeia de Puys, onde sobressai o Dôme, é de formação muito mais recente (entre 100.000 e 7.000 anos). Mais em http://www.parc-volcans-auvergne.com/. Numa tarde de céu limpo subi a 3 deles (mais fotos em http://www.facebook.com/album.php?aid=130398&id=613684777&l=09b75cbe22 ): o Montchal (1.411m), o Puy Dôme (1.465m) e Pariou. O Dôme é um simbolo na região, visitado por mais de 400.000 pessoas/ano, sendo que algumas optam por subir a pé e descer com um guia em parapente.
Com estas subidas fáceis, de pouco mais de uma hora cada, mantive-me em forma para o que se seguia (viagem Ice Care) e elevei para 15 o número de cumes de vulcões visitados, incluindo o Kilimanjaro, os Capelinhos e o Pico (nos Açores), Fira, na Grécia, ou Kilauea no Hawai. O Monte Fuji ainda não consta na minha lista ...

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Glaciares em agonia

Nas Crónicas do Zézinho (http://cronicasdozezinho.blogspot.com/ de 11.03.2009), com o título ‘Glaciares Património da Humanidade’, deixei alguns dados sobre a paisagem protegida Jungfrau-Aletsch-Bietschhorn e a redução do glaciar Aletsch (na Suiça). Agora, estive a folhear o livro ‘Gletscher im Treibaus’ (glaciares na estufa), de Wolfgang Zängl e Sylvia Hamberger (edição Tecklenborg Verlag, de 2004), que me foi recomendado por Ralph Manz, representante da WWF em Brig, com quem reuni em Junho, no âmbito do projecto Ice Care (mais em http://icecare.blogs.sapo.pt/). Básicamente, são comparadas fotografias de vários glaciares dos Alpes, tiradas recentemente, com outras dos mesmos locais, feitas no inicio do século XX (entre 1900 e 1940). Não se trata de procurar as ‘7 diferenças’ - estas são óbvias! Outros números preocupantes são adiantados: a temperatura média do ar no Ártico subiu 5º C nos últimos 100 anos; na Antártida, a temperatura aumentou 2,5º C nos últimos 50 anos – com temperaturas acima de 0º, durante o verão; os glaciares da Patagónia argentina e chilena perdem 40 km cúbicos de volume, por ano; o Kilimanjaro perdeu no último século 80% da sua neve e gêlo, prevendo-se que este desapareça por completo entre 2015 e 2020 …

As quantidades de dióxido de carbono resultantes da queima de recursos fósseis, lançadas na atmosfera pelo Homem, acabaram por deixar uma marca indelével em 2003 – neste ano registaram-se temperaturas recorde e o derretimento dos glaciares representou 5 a 10% das perdas totais até então verificadas nas reservas de gêlo dos Alpes, segundo cálculos de pesquisadores suiços. O aquecimento global representa, a prazo, não só o “desaparecimento dos glaciares, mas também uma alteração dramática das condições de vida das populações – com consequências para todos.”
Numa campanha com imagens impactantes, a WWF apresentou um postal com uma caravana de uns 10 camelos que atravessam as areias do deserto em direcção à montanha Cervino (ou Matterhorn) …

sábado, 4 de julho de 2009

Trovoada nos Alpes Rätikon

Aproveitando a embalagem das travessias Paris-Suiça em bicicleta e glaciar Aletsch a pé, prolonguei a minha estadia na Suiça e ascendi ao cume mais alto do Liechtenstein – o Grauspitze, a 2.599m. (dos 9 cumes mais altos da Europa Ocidental por país, com mais de 2.500 metros de altitude, falta-me agora apenas um).
Quando após umas 9 horas a caminhar pelas montanhas dos Alpes Rätikon (os que separam Suiça e Liechtenstein) fiquei sem água, fui surpreendido no cume do Falknis (2.560m) por uma estrondosa trovoada. Mas dessa água eu não queria beber … Era hora de apressar a descida !

Mais fotos no Facebook: http://www.facebook.com/album.php?aid=127471&id=613684777&saved#/album.php?aid=127471&id=613684777

Para quem queira ver a entrevista sobre o projecto Ice Care ao Berner Zeitung, em alemão (!!!), ver em: http://www.bernerzeitung.ch/region/thun/Von-Paris-nach-Lauterbrunnen-mit-dem-Velo/story/15267721 ou http://www.icecare.org/Media/Detalhes/1000263.ice

terça-feira, 30 de junho de 2009

Ice Care na Suiça / in Switzerland

Entre 19 e 27 de Junho de 2009, percorremos 641km em bicicleta, de Paris a Lauterbrunnen (Suiça) e andámos 13 horas e meia para atravessar o glaciar Aletsch.
No dia 18 encontrei-me com o Zé Maria às 11 da noite em Paris (depois de percorrer 54 km em bicicleta até Berna para aí tomar o TGV até à Gare de Lyon e percorrer os 9 km que me separavam do Hotel). No dia 19 reunimos com responsáveis dos Sitios Naturais Património da Humanidade, na UNESCO, após o que partimos nas bicicletas …. Após 5 dias e meio a pedalar, com duas das noites mais bem dormidas passadas ao relento e um jantar de esparguete oferecido por uma amiga em Berna, chegámos a Lauterbrunnen. Foi no dia 24 à tarde. Às 6 da manhã de dia 25 já subiamos ao Jungfraujoch para descer e atravessar o mais longo glaciar da Europa – o Aletsch. O guia, Herb (Grindelwald Sports), conduziu-nos por entre as fendas do glaciar e contou-nos interessantes histórias. Na rocha, junto às escadas de acesso ao refúgio Konkordia, colocámos uma placa assinalando o nivel do glaciar. Recolhemos dados, fizemos fotografias, medimos as coordenadas de pontos do glaciar e constatámos a sua redução em altura: - 30 metros desde 1965. No dia 26 descemos da montanha para Fiesch (em Wallis) e reunimos com um representante da WWF, em Brig. Ao final do dia chegávamos de novo a Lauterbrunnen, exaustos, para fazer um balanço e comemorar o resultado da primeira expedição Ice Care, e preparar o regresso apressado a Portugal. Um resumo desta viagem faz parte do meu proximo livro ...Between the 19th and the 27th June 2009, we rode 641 km on our bicycles, from Paris to Lauterbrunnen (Switzerland), after which we’ve walked 13 hours to cross the Aletsch glacier.
On the 18th I met Zé Maria at 11pm, in Paris (after riding 54km to get to Bern and catch the TGV till the Gare de Lyon, where I rode another 9km to reach the hotel). On the 19th we met with dignitaries from the UNESCO, responsible for the World Patrimony Natural Sites, after which we’ve started riding our bicycles to Switzerland …. After 5 and a half days riding, with two nights well spent under the stars and a spaghetti dinner offered by a friend in Bern, we’ve arrived in Lauterbrunnen. It was the 24th of June. At 6am the next morning we were walking up the mountain to reach the Jungfraujoch and walk down to cross the longest glacier in Europe – the Aletsch. Our guide, Herb (Grindewald Sports), lead the way around the crevasses of the glacier and told us interesting stories. On the rocks, next to the stairs that give access to the Konkordia Hut, we have drilled and placed a sign marking the present level of the glacier. We’ve collected information, took photos, measured coordinates of certain spots of the glacier and realized its reduction in height: - 30 meters since 1965. On the 26th we walked down the mountain to Fiesch (in Wallis) and met with the delegation of the WWF in Brig. By the end of the day, we were back in Lauterbrunnen, exhausted, for a first analysis and to commemorate the results of the first Ice Care expedition. After this, some of us had to go quickly to the airport to return to Portugal. The story of this journey will be part of my next book ...
See more fotos in my Facebook album.

domingo, 24 de maio de 2009

Portugal Bike Tour 09













Atravessar Portugal em bicicleta ?!? Treino de preparação, divulgação de um projecto, promoção de um livro, revisitar uma pessoa amiga, fotografar as Aldeias Históricas ??? Todos estes motivos podiam fazer parte da lista que deu origem à minha volta em bicicleta, mas o objectivo central era um único: chegar a Chaves a pedalar!
A 14 de Maio parti de Setúbal num ferry da manhã. Em Tróia comecei a pedalar, a pedalar, a pedalar, … Por 8 dias sem parar! Até que, ao fim de quase 1.000 km, cheguei a Chaves !?! Claro que os meus planos se foram alterando e adequando pelo caminho. Alguns motivos foram ficando para trás enquanto outros ficavam mais definidos. O objectivo último mantêve-se.
Queria atravessar Portugal, do Algarve a Bragança, mas ao meter-me por caminhos secundários e em mau estado percebi que isso me levaria a necessitar de muito mais tempo do que o tempo disponível. Então, em vez de alcançar a barragem de Santa Clara (fronteira com o Algarve) comecei a derivar para sudeste por alturas de Ourique. Cheguei a Almodôvar e apenas espreitei a Ribeira de Vascão, antes de girar para norte e continuar por Mértola. Segui sempre junto à fronteira. Também por escassez de tempo, retirei Bragança do plano e, a partir de Figueira de Castelo Rodrigo, pedalei directo a Chaves.
Como treino de preparação (componente física, equipamento e logistica) este tour revelou-se útil. É que quero estar em forma para a travessia Paris-Berna de 600km que eu e o Zé Maria vamos percorrer dentro de 3 semanas, no âmbito do projecto Ice Care. Este projecto de desporto de intervenção (http://www.icecare.org/), levar-nos-á a cumprir determinadas travessias para terminar nos 5 glaciares definidos pela UNESCO como estando em perigo de derreter (as suas localizações: Sitio Natural Jungfrau-Aletsch-Bietschhorn, na Suiça; Mount Kilimanjaro National Park, na Tanzânia; Ilulissat Icefjord, na Groenlândia, Dinamarca; Sagarmatha-Everest National Park, no Nepal; Parque Nacional Huascarán, no Peru). Nestes Parques pretendemos registar e dar a conhecer a acelerada contracção que os glaciares têem vindo a sofrer.
O equipamento Berg, Silva e TrangoWorld, cedidos por empresas apoiantes, tinha que ser testado em condições reais, ajustado e optimizado. A condição física e a logistica, uma semi-autonomia com etapas de duração superior a 100 km, tinha que ser comprovada. E foi!
A divulgação directa do projecto Ice Care, não fazia muito sentido no interior do país onde uma população mais envelhecida tem menos acesso à internet (o nosso meio de divulgação por excelência). Se consegui captar a atenção de 4 ou 5 pessoas, já foi muito. De certeza uma ou duas seguirão o nosso site e blogs.


Promover o livro “Aventura ao Máximo”, que recentemente escrevi, teria pouca expressão, pelo pouco tempo que parei em cada lugar. Mas transportar um exemplar na mochila para oferecer a uma pessoa querida que havia cuidado de mim em criança e a viver em Chaves, foi uma forte motivação e determinou o ponto de chegada. Sim, revisitar uma pessoa que não via desde há muitos anos parece-me o melhor dos motivos para justificar o destino … Quanto às Aldeias Históricas, algumas ficavam em caminho e não resisti a parar para uma fotografia. Outras, a apenas alguns quilómetros fora de rota (Marvão, Sortelha, Monsanto), ficaram para outras núpcias pois mesmo pequenos desvios em terrenos desnivelados como os das Beiras, como cedo percebi, comprometiam o esforço físico diário requerido.
Os meus repetidos agradecimentos aos Bombeiros de Portalegre e de Vila Flôr (respectivamente ao Sr. Alberto e ao Sr. Comandante), e ao Quim, dos Bombeiros de Idanha-a-Nova, grande fã do ciclismo, pela disponibilidade e apoio prestado. Mais fotos: http://www.facebook.com/home.php?#/album.php?aid=117593&id=613684777&ref=mf

Etapas
1- Tróia-Ourique (via Santiago do Cacém, 135km); 2- Ourique-Mina de S. Domingos (via Almodôvar e Mértola, 117km); 3- Mina S.D.-Monsaraz (via Mourão, 126km); 4- Monsaraz-Portalegre (via Jerumenha, 108km); 5- Portalegre-Idanha-a-Nova (via V.V. Ródão e Castelo Branco, 128km); 6- Idanha-Almeida (via Penamacor e Sabugal, 125km); 7- Almeida-Vila Flôr (via Castelo Rodrigo e V.N. Foz Côa, 100km); 8- Vila Flôr-Chaves (via Mirandela e Valpaços, 76km); A duração de cada etapa variou entre as 9 e as 12 horas diárias, sendo que o tempo efectivo a pedalar foi, em média, superior a 7 horas.

Equipamento
TrangoWorld: roupa de montanha (polar e impermeável) e material de campismo (saco cama ‘Mountain TR 30’ e colchonete auto-insuflável ‘skin micro-lite’); Berg (bicicleta Torah 9.5, capacete Raden e acessórios); Dual Brand (bússola e frontal Silva, canivete multifunções Gerber).